[noite escura]
[noite: s.f. espaco de tempo entre o crepusculo e o amanhecer; obscuridade reinante nesse tempo] [escura: adj. obscura; falta de luz]

e-mail
noiteescura@netcabo.pt

aqui ao lado
100nada
2U2
A aba de Heisenberg
Abram os Olhos
Abrupto
A Carta Roubada
A Sombra
A Espada Relativa
A Espuma dos Dias
Almocreve das Petas
Apenas um pouco tarde
A Praia
Aqui Não há Poeta
Asa de Borboleta
Ass.Cult.Rec Ideias
Aviz
Azul Cobalto
Baldrake
Bicho Escala Estantes
Bomba Inteligente
Cadernos de Camus
Causos meus e da minha família...
Cidade do Pecado
Dentro do Entre
Deslizar no sonho
Don Vivo
Íntima fracção
Flôr de Obsessão
Folgo em Saber
Leite de Creme
Little Black Spot
Luar
Meridiano
Mil e uma
Modus Vivendi
No Arame
Oceanos
O Céu Sobre Berlim
Outro Lado da Lua
Pensamentos Imperfeitos
Ponto e Vírgula
Sebenta
Segredos de Deméter
Sem querer penso
Silêncio
Templo de Atena
Tempo Dual
Textos de Contracapa
Thelma & Louise
Tro.blog.dita
Uns e Outros

insónias
Junho 2003
Julho 2003
Agosto 2003
Setembro 2003
Outubro 2003
Novembro 2003
Fevereiro 2004
Março 2004
Abril 2004
Maio 2004
Junho 2004


23.7.03

[ao som de "Latin Note", Tourist - St Germain]
«Gosto das tuas mãos. Gosto de ti. Quero que o saibas.»
M, no seu Azul Cobalto
# respirado por Vitor, 14:28
inquietações:


22.7.03

[ao som de "Sometimes", The Best Of - James]

Absolut
# respirado por Vitor, 23:46
inquietações:


21.7.03

[ao som de "God Put A Smile Upon Your Face", A Rush Of Blood To The Head - Coldplay]
«Nem me lembro de quando foi que nos deixámos de falar.»
Alexandre, no seu no arame
# respirado por Vitor, 14:48
inquietações:


20.7.03

[ao som de "Wasted Time", In Between - Jazzanova]
«Há coisas que nos custam dizer em voz alta; mas há coisas que teremos de ter a coragem de começar a dizer em voz alta.»
NM, no seu Textos de Contracapa
# respirado por Vitor, 23:06
inquietações:

[ao som de "El Capitalismo Foraneo", La Revancha del Tango - Gotan Project]
«Let me make a suggestion. Do not assume, not even for a second, that because you read the blog you know who I am or who my parents are. And you are definitely not entitled to be disrespectful. Not everything that goes on in this house ends up on the blog, so please go play Agatha Christy somewhere else.»
salam, no seu Where is Raed?
# respirado por Vitor, 22:56
inquietações:

[ao som de "Cuidaoooo", Chan Chan - David Alvarez y Juego de Manos]
«Devíamos mudar de nome e de nacionalidade quando os amores terminam. Os amores deixam pegadas nos sítios por onde passam; território proibido que não se apaga.»
Pedro, no seu Flôr de Obsessão
# respirado por Vitor, 22:37
inquietações:

[ao som de "Cada Lugar Teu", ao Vivo - Mafalda Veiga]
Batem à porta. É um som irritante este que irrompe por entre os cantos e recantos, por entre as paredes desta casa. E continuam a bater. Insensíveis a como não tive ainda tempo para a poder abrir. Levanto a voz, um misto de autoridade e lamento: "Já vou... estou a ir.. Um momento!". Tropeço nas almofadas, atropelo o sofá e olho de relance o espelho.
Dois segundos, cinco segundos, dez segundos, que para mim foram apenas um.
Dois segundos, cinco segundos, dez segundos, que se calhar são mil.
"Um momento."
Mesmo antes de colocar a mão no puxador, lembro-me que podes ser tu. Batem mais uma vez. Uma última pancada forte e decidida, como se adivinhassem que eu estava já ali. Só podes mesmo ser tu...
Abro a porta e segue-se um silêncio perturbador.
Tens a cabeça baixa, os teus cabelos negros, que eu sei serem pintados - mas nunca eu revelarei este segredo, que é nosso, tão nosso como tantas outras coisas -, fogem-te para a frente dos olhos. Estão escondidos esses olhos, esses teus olhos que tanto quero agora ver - rever... Mesmo antes que mais alguma coisa diga ou faça o que quer que seja, levas a mão à cara muito devagar. O mundo está parado, mas só aqui, à porta do meu apartamento, 5º esquerdo de um prédio qualquer, que fica numa rua onde não conheço ninguém, ou pelo menos não conhecia, antes de te conhecer a ti.
Com um gesto repentino empurras para o lado os teus cabelos negros - falsos -, e olhas em frente, mas sem me ver por um instante sequer. Olhar vazio, mesmo - ou principalmente - de mim.
"Outra vez? Só mais esta vez? Mais uma vez?..."
Um beijo quente, longo, terno - enganador. Um beijo teu, só teu... que sei ser de morte - como em tantas outras vezes passadas também o foi -, mas é uma morte tão doce.
Morri, morri mesmo. Mas pelo menos feliz - ou a julgar que o poderia vir a ser - contigo.
# respirado por Vitor, 18:00
inquietações:

[ao som de "Still In Love", Nocturama - Nick Cave & the Bad Seeds]

# respirado por Vitor, 17:40
inquietações:


19.7.03

[ao som de "Bless His Ever Loving Heart", No More Shall We Part - Nick Cave & the Bad Seeds]
Amo-te por tudo o que sempre foste, pelo que queres ser, pelo que quase és.
Amo-te mais do que devo, mais do que posso.
Amo-te porque não há nada que faça tão bem.
# respirado por Vitor, 01:51
inquietações:


18.7.03

[ao som de "Espalhem a Notícia", Afinidades - Clã e Sérgio Godinho]
«Um eremita cristão, vestido de andrajos, os pés ensanguentados pelos rochedos e pelos espinhos, a cabeça a arder de sol, corria sem destino pela areia e gritava a todos os ecos do deserto:
- Tenho uma resposta! Tenho uma resposta! Quem tem uma pergunta?»

Jean-Claude Carrière, in "Tertúlia de Mentirosos"
# respirado por Vitor, 14:01
inquietações:


17.7.03

[ao som de "Downtown", The Collection- Lloyd Cole]
«Foi uma chamada para o número errado que despoletou tudo, o telefone a tocar três vezes no silêncio da noite, e a voz de outro lado da linha a perguntar por alguém que não era ele.»
Paul Auster, in "A Trilogia de Nova Iorque"
# respirado por Vitor, 14:46
inquietações:

[ao som de "The Long Day Is Over", Come away with me - Norah Jones]
Um dia destes olhaste nos meus olhos, sorriste para mim e fizeste aquela tua cara de menina feliz. Eu, aluado - como aliás quase sempre estou -, parei. Parei ali, perto de ti, com as mãos a ficarem suadas, de rosto ruborizado e os meus lábios, também eles, a esboçarem um sorriso. Foram anos de olhares trocados, beijos amigos, confidências e alegrias comuns, mas que acabaram ali com dois sorrisos, um teu e outro meu. O meu diferente do de ontem e de todos os outros sorrisos meus, tão diferente como o teu, que só ali vi como só teu poderia ser.
# respirado por Vitor, 14:41
inquietações:

[ao som de "Light My Fire", alive alive-o! - José Feliciano]
«You know that it would be untrue
You know that I would be a liar
If I was to say to you
Girl, we couldn't get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire»

Robbie Krieger
# respirado por Vitor, 12:57
inquietações:

[ao som de "Virtual Insanity", Travelling Without Moving - Jamiroquai]

# respirado por Vitor, 00:50
inquietações:

[ao som de "A Well Deserved Break", Fragments of Freedom - Morcheeba]
«O paraíso é um território exíguo e esquivo: um lugar de passagem onde chegamos por acaso, e de onde já saímos quando julgamos ainda lá estar. Foi isto que o homem adivinhou naquele momento, o mesmo momento em que lhe foi fácil acreditar que Adão e Eva talvez não tivessem sido expulsos do paraíso, mas sim que aquele lhes tivesse fugido debaixo dos pés. [A moral desta história é já por demais conhecida: se o paraíso não vem até ti, escusas de ir até ele.]»
Luis N, no seu mil e uma
# respirado por Vitor, 00:41
inquietações:

[ao som de "For Heaven´s Sake", First Conversation - Caecilie Norby]
«Não há, de facto, amor como o primeiro. Cada vez mais acho que esta frase se aplica a tudo menos no que ao amor diz respeito.»
Ana, no seu folgoemsaber
# respirado por Vitor, 00:17
inquietações:


16.7.03

[ao som de "I Will Be Blessed", sings Salvadore Poe - Lisa Ekdahl]
«às vezes pergunto-me sobre a utilidade de se escrever num blog que [quase] ninguém lê. muitas vezes me interrogo sobre isso. escrever aqui ou nos cadernos, tanto faz. é uma terna inutilidade, suponho.»
claire lunar, no seu little black spot
# respirado por Vitor, 01:13
inquietações:

[ao som de "Summertime", Let's Do It- Louis Armstrong, George Gershwin, DuBose Heyward]
«Um passeio pela blogosfera é quase igual a uma volta pelas livrarias - encontra-se de tudo e para todos os gostos.»
M.A.V. no seu Oceanos
# respirado por Vitor, 01:02
inquietações:

[ao som de "All Over The World", Bossanova - Pixies]
«O silêncio não é um intervalo, antes a chave que transforma as palavras em música.»
Manuel Jorge Marmelo, no seu "Homem das gaivotas"
# respirado por Vitor, 00:37
inquietações:

[ao som de "Estrela do Mar", Só - Jorge Palma]

# respirado por Vitor, 00:26
inquietações:

[ao som de "Drume Negrita", Mambo Sinuendo - Ry Cooder, Manuel Galbán]
Mãos perdidas em ti. Mãos perdidas em mim. Lábios nossos, apesar de serem também teus e meus. Olhos fechados que não deixam de te fitar. Olhos fechados que sei só me terem a mim no horizonte. Dois corpos que são um só. Um momento que são muitos segundos.
Olho-te agora. Olho-te mesmo, de olhos bem abertos, de olhos bem dentro dos teus,e digo-te o que já há muito devia ter dito. E tu repetes, ao tempo que mordes os lábios, desta vez só os teus.
# respirado por Vitor, 00:06
inquietações:


14.7.03

[ao som de "Chan Chan", Buena Vista Social Club - Compay Segundo]

1907-2003

«De Alto Cedro voy para Marcané
Luego a Cueto voy para Mayari»

Francisco Repilado Muñoz "Compay Segundo"


# respirado por Vitor, 15:28
inquietações:

[ao som de "Paper and Ink", Telling Stories - Tracy Chapman]
Julguei o meu amor por ti a maior de todas as coisas,
superior ao sol que me ilumina e à lua que me atrai,
minha bela morena de olhos de chinesa,
menina tímida que a voz retrai.
Mas ontem na festa que nos juntou,
na música que já foi mais do que nossa cúmplice,
vi - como em tantas outras coisas na vida -,
o amor é coisa que já passou.
Lágrimas pesaram-me na alma, no meu rosto e no teu,
e quis fugir para longe, seja lá onde isso for.
Porque dói demais magoar quem já não se ama.
Porque dóis demias essa estranha dor.
Porque já não é nem amor nem ódio,
muito menos sequer amizade,
é só um resto esquisito que magoa e mata,
deixando a água e o sorriso da saudade.
# respirado por Vitor, 15:19
inquietações:


13.7.03

[ao som de "2+2=5", Hail To The Thief - Radiohead]
«Não tenho todos os Verões da minha vida, só tenho este. Terei mais mas serão outros, este é só um.»
Catarina Campos, no seu 100nada
# respirado por Vitor, 22:10
inquietações:

[ao som de "Don't Go To Strangers", Swing It Back - Etta Jones]

# respirado por Vitor, 03:15
inquietações:


12.7.03

[ao som de "Suzanne", The Essential - Leonard Cohen]
«Os meus lábios encontraram-lhe o pescoço mas não o beijei. O seu corpo encontrou o meu – moldou-se ao meu – mas nada se seguiu daí. Não a beijei, não a beijei.»
Alberto Cinza, no seu Meridiano
# respirado por Vitor, 17:52
inquietações:

[ao som de "Lá em baixo", Afinidades - Clã e Sérgio Godinho]
«Era uma vez um homem que sonhava em ser livre, por isso guardava todas as lembranças, mágoas, sonhos, frustrações, angústias, desesperos, dentro de uma caixa. Queria voar, mas não conseguia nem andar. Patinava na vida arrastando um enorme caixão de defunto.»
Deméter, nos seus Segredos de Deméter
# respirado por Vitor, 17:45
inquietações:


11.7.03

[ao som de "Veinte Años", Omara Portuondo - Omara Portuondo]
«Qué te importe que te amé
Si tú no me quieres ya?
El amor que ya pasado
No se debe recordar.»

Maria Teresa Vera
# respirado por Vitor, 23:57
inquietações:

[ao som de "La Bayamesa", Buena Vista Social Club - Manuel 'Puntillita' Licea, Compay Segundo, Ibrahim Ferrer]

# respirado por Vitor, 23:50
inquietações:

[ao som de "A lua partida ao meio", Chorinho Feliz - Maria João e Mário Laginha]
Dia sim dia sim, as nuvens passam, o sol cai,a lua rebenta e eu olho-me ao espelho sem me ver. Um morto vivo, uma cara feia que me escapa, tudo porque sou incapaz de sentir ou sorrir, pelo menos um pouco, pelo menos igual a ti. Quando tu ris e sorris, choras ou berras, quase morro, quase não sei o que fazer de mim, só porque não sei o que isso é e tenho medo de nunca vir a saber.
Os teus olhos grandes - são sempre os teus olhos que me descobrem - fitam-me parados, molhados e incrédulos. Magoados por nada conseguirem ver nos meus, apesar de eu te dizer para teres paciência e que afinal pode ser tudo uma questão de tempo. Um pouco mais...
Minto porque tem de ser, porque nada mais sei fazer quando os teus olhos me descobrem. Dou-te um beijo, que sem ser ser sentido é bom, objectivamente bom.
Os teus olhos grandes choram sem água, fazem que sorriem e amam-me mesmo assim.
Eu saio pela porta do quarto - como se fosse a coisa mais natural do mundo -, e nem olho para trás, por não sinto essa necessidade sequer.
Assim vivemos, dia sim dia sim, enquanto as nuvens passam, o sol cai e a lua rebenta. Senão até amanhã, pelo menos até quando deus quiser.
# respirado por Vitor, 23:13
inquietações:


10.7.03

[ao som de "Me Myself and I", Film - The Gift]
Tens os olhos suspensos sobre mim. Passas com as costas de dois dedos na minha cara. Cerras os olhos e arremessas-me um sorisso triste e doce.
Tens as mãos frias. Mais nada.
O tempo, esse, parece que parou.
# respirado por Vitor, 23:16
inquietações:

[ao som de "Where the Streets Have No Name", The Joshua Tree - U2]

# respirado por Vitor, 13:41
inquietações:

[ao som de "Mas Que Nada", the very best of Latin America - Sergio Mendes & Brasil'66]
«Bebida para o Verão: Pimm's com rodelas de pepino e uma rodela de limão, Ginger Ale e muito gelo. Uma delícia.»
Charlotte, na sua Bomba Inteligente
# respirado por Vitor, 13:04
inquietações:

[ao som de "Coisas", O Monstro Precisa de Amigos - Ornatos Violeta]
«O Porto, onde me encontro aos recados, é uma pequena aldeia. Em cinco minutos, a pé, está-se em qualquer sitio.»
Fernando, no seu A Causa Foi Modificada
# respirado por Vitor, 12:53
inquietações:

[ao som de "One of Us", Relish - Joan Osborne]
«If God had a name, what would it be
And would we call it 2 His face
If we were faced with Him and all His glory?
What would U ask if U had just one question?»

Prince
# respirado por Vitor, 12:40
inquietações:


9.7.03

[ao som de "Devolva-me", Público - Adriana Calcanhotto]
«Pulmões de nicotina, a minha morte adiada, espécie de escolha de sina.»
Catarina Campos, no seu 100nada
# respirado por Vitor, 23:13
inquietações:

[ao som de "Dançar na corda bamba", Lustro - Clã]
«Quem aqui fala tem o desejo, veemente, de falar/dançar.»
Susana, na sua Carta Roubada
# respirado por Vitor, 14:21
inquietações:

[ao som de "Never Tear Us Apart", Respect Yourself - Joe Cocker]
Uma mulher vestida de ti pode ser uma mulher qualquer
Até a de ontem poderia ser, porque não sei quem tu és
Nem sei se és loura ou morena, minha ou de outro qualquer
Mas sei que quero que essa mulher sejas tu,
minha alma embrulhada que se esconde de mim
e não me deixa atravessar para o outro lado da estrada.
Um homem despido de ti é o que sou e quero deixar de ser,
nem que para isso tenha de sofrer ou mesmo morrer.
Porque o céu ou o inferno são coisas que não importam,
nem podem importar.
Porque o sonho não se mede nem teme
só se sente,
Por vezes sozinho, outras com uma mulher...
vestida de ti, se deus quiser...
# respirado por Vitor, 14:12
inquietações:

[ao som de "Airbag", OK Computer - Radiohead]
«O tempo não volta e não sei dos meus pés para andar.»
Tania, no seu Sem querer penso
# respirado por Vitor, 01:54
inquietações:

[ao som de "O Navio de Espelhos", Os Poetas: entre nós e as palavras - Herberto Hélder, Rodrigo Leão, Gabriel Gomes]

# respirado por Vitor, 01:47
inquietações:


8.7.03

[ao som de "Playground Love", The Virgin Suicides - Air]
A tua noite acaba a tempo do dia começar.
Mas a minha noite não é igual à tua nem sequer à dos outros. A minha noite é muito minha, acaba a meio da manhã, depois de um leite quente e um sorriso teu. Porque passo sempre por tua casa, antes de chegar à minha, como se passar pelo outro lado da vila até fosse natural. Vais trabalhar e deixas-me a dormir. Sossegado, feliz, com um beijo terno nos meus lábios secos pelo vinho da noite passada.
É a meio da tarde, só a meio da tarde, e depois de ter esvaziado o teu frigorífico, que vou para minha casa, se assim lhe posso chamar. Porque a minha mãe sempre me disse que casa é o sítio onde dormimos e gostamos de estar. Onde nos sentimos bem e somos capazes de repousar. Casa é a paragem da minha vida e da tua, caso soubesse querer ser feliz.
E não mais te vou ver hoje.
A noite começa ao jantar e não ao fim da tarde – pelo menos a minha –, rodeado de amigos, sejam eles conhecidos ou estranhos, mas sempre os chamo de amigos. E ligo-te, mais uma vez, como se isso alguma vez pudesse ser o bastante. Engano-me e se calhar também te engano. Sem dar por isso, ou pior, sem achar isso importante.
Segue-se mais uma noite que é um dia e mais um dia que é uma noite. Noite sim noite sim, dia sim dia sim. O leite é cada vez menos quente e os sorrisos cada vez menos sorrisos, só lábios encostados um ao outro, perdidos, indiferentes.
Um dia, ou uma noite – como queiras –, não foi natural passar pelo outro lado da vila. E tu não quiseste saber, nem eu.
# respirado por Vitor, 14:09
inquietações:

[ao som de "Henry Lee", The best of - Nick Cave & the Bad Seeds]
«quero-te a pele constante / na frequência dos dedos / no romper das unhas»
clAud, no seu tempo dual
# respirado por Vitor, 12:30
inquietações:

[ao som de "Oye Como Va", the very best of - Carlos Santana]
«Raspo, com a unha roída, a pequeníssima crosta de uma ferida qualquer. Uma gota de sangue ganha vida entre os pelos do braço direito. Levo o braço à boca e chupo o sangue: tem o mesmo sabor da infância, lembram-se?
Há quantos anos não fazia eu isto?»

Manuel Jorge, no seu Apenas um pouco tarde
# respirado por Vitor, 12:24
inquietações:

[ao som de "Wise Up", Magnolia - Aimee Mann]
Esta tarde perdi-me numa rua escura, num beco sem saída. Quando olhei para trás, neste dia de chuva, de tormenta e solidão, por entre gotas de chuva oblíqua, e te vi, pecebi que estavas ali desde sempre, desde que te conheço, desde que me conheço - e faz agora meio instante que me conheço -, meu anjo da guarda, meu amor.
# respirado por Vitor, 00:24
inquietações:

[ao som de "Hymn", Everything is Wrong - Moby]

# respirado por Vitor, 00:21
inquietações:

[ao som de "Just Another Story", The Return of The Space Cowboy - Jamiroquai]
«...mas, disse Salomão, a paciência é, no Homem, o testemunho da sua grandeza. Até quando?»
M.A.V., no seu Oceanos
# respirado por Vitor, 00:11
inquietações:


7.7.03

[ao som de "Guaguancó Callejero", Beunos Hermanos - Ibrahim Ferrer]
E tu abres a porta, a nossa porta. Entras, como se nada tivesse acontecido. Entras, irresistivelmente bela, poderosa e afrodisíaca, e dás-me um beijo meigo. Só um beijo.
Agora sei que o inferno é uma eternidade que dura lua e meia, e que termina com o vermelho molhado e ameno dos teus lábios.
# respirado por Vitor, 14:34
inquietações:

[ao som de "Amor Verdadero", the very best - Afro-Cuban All Stars]
«Há coisas que têm mesmo que mudar. A vida é feita de inícios e de fins, de momentos e de memórias, de desejos e de saudades, de silêncios e de lágrimas. A minha vida é feita disto tudo. Dói sentir o mundo a esfumar-se debaixo dos meus pés. Mas já aprendi. Estou no fio da navalha, pronta a desabar, mas no último instante domino o que me domina e supero o medo. Nunca acontece nada. E sigo em frente, como se nada fosse. Como se só pudesse ser assim.
"As coisas têm a importância que lhes damos" - obrigada, Sensei Cristina.
Vou tomar o pequeno-almoço. No meu estômago não aterra comida há muito tempo... será que ele ainda a reconhece?»

Lenia, no seu Outro Lado da Lua
# respirado por Vitor, 13:14
inquietações:

[ao som de "You Must Belief In Spring", First Conversation - Caecilie Norby]

# respirado por Vitor, 01:20
inquietações:


6.7.03

[ao som de "Hallelujah", The Essential - Leonard Cohen]
«O homem tentou ler o livro que trouxera consigo. Depois esforçou-se por ouvir a música. Mas não conseguia sair de si e ser outra coisa se não ele mesmo. Como posso ser sempre tão insuportavelmente eu? — perguntou a si mesmo. Cada um é como é! — respondeu rápido, e riu pela primeira naquele dia, esquecido por momentos de si. [A moral desta história é óbvia: Rir é descansar de nós mesmos.]»
Luis N, no seu mil e uma...
# respirado por Vitor, 19:13
inquietações:

[ao som de "Meu Destino", The Richest Man in Babylon - Thievery Corporation]
« Debaixo de uma sombra No Verão
um homem descansa No vinho
procura um abrigo onde não estejas »

Vincent Bengelsdorf, no seu Meridiano
# respirado por Vitor, 17:36
inquietações:

[ao som de "Blow Your Mind", Emergency On Planet Earth - Jamiroquai]
Forço-me a escrever, porque tenho de desabafar, de dizer alguma coisa, de dar um berro maior que tu, minha pequena, minha doçura de pessoa, meu amor. Estou farto deste tempo que dizes precisar, da tua falta, da tua ausência. Porque imagino mil e uma coisas, nestas noites que também já parecem mil e uma, mas são apenas uma e meia.
Apetece-me falar contigo, mas são as paredes brancas, de um branco que sempre desejaste e eu abominei, que me rodeiam e são minhas companheiras. Elas ouvem tudo mas não falam, ouvem tudo mas não choram, ouvem tudo e ensurdecem-me. Atiro-lhes um copo que as mancha de vermelho sangue, acompanhado por um gemido e finalizado com uma lágrima ou lágrimas, muitas lágrimas.
Olho para uma página em branco, húmida e ensanguentada. Olho para uma página que parecem duas ou três, olho para um mundo vermelho em redor que parece turvo, olho para uma foto e imagino-te aqui. Ao pé de mim, atrás e à frente, a rir, a chorar, a gemer e a gritar, a gostar de ser feliz. Mas essa noite não é hoje. Sei isso.
Trôpego, demasiado se calhar, caio mais uma vez, por cima de um sofá sujo, ouvindo uma música sempre presente demais, como se a realidade fosse uma coisa capaz de invadir corpos e sentimentos, usurpadora de tudo, mesmo dos meus sonhos e pecados, mesmo até de ti. Porque é a realidade desta meia noite de hoje e de toda a de ontem, que te leva para longe de mim, por pretexto de um tempo interminável, que não acredito poder acabar, que sei não ir acabar nunca.
A garrafa está agora longe demais e o copo está partido.
Eu amo-te e tu respondes com uma palavra que não rima com as minhas e muita menos as completa. Dizes que a culpa é só minha. E fecho os olhos – querendo só isso neste momento: fechar os olhos –, tapo os ouvidos e deixo que as paredes caiam em cima de mim.
# respirado por Vitor, 15:09
inquietações:

[ao som de "Only You", sings Salvadore Poe - Lisa Ekdahl]
«Hoje acordei com vontade de me suicidiar. Saí à rua e matei um tipo parecido comigo. Fiquei relativamente satisfeito.»
Ralo, no seu T-Zero
# respirado por Vitor, 01:11
inquietações:


5.7.03

[ao som de "Rose Rouge", Tourist - St Germain]

# respirado por Vitor, 01:21
inquietações:

[ao som de "Dragão", Alma Mater - Rodrigo Leão]
«Só por existir / Só por duvidar / Tenho duas almas em guerra / E sei que nenhuma vai ganhar»
Jorge Palma
# respirado por Vitor, 00:41
inquietações:


4.7.03

[ao som de we have one more song to go, it's called "Fear and Love". so after we finish this one, you'll have to go home and make love..., Acoustic - Morcheeba]
E se por um acaso do destino nos encontrássemos agora, nem saberia o que te dizer!
Encosto o carro à berma e penso nisto. Se calhar estou errado... Terei sido precipitado na forma como fechei - como te fechei - a porta? Uma porta que é pesada demais, difícil de abrir, impossível de derrubar. Uma porta de gelo, de sangue e lágrimas. Olho para o chão, para os carros que passam, para pessoas que não me conhecem. Agora sei onde é longe. É um lugar que não me conhece, um sítio onde assento mal e sinto a tua falta. Mesmo sabendo que és má e egoísta, incapaz de me amar como eu te amo. Gostas de me magoar, de me ver sofrer, ainda para mais se essa dor fôr causada por ti, pelo teu jeito cruel. Uma lágrima escorre, espessa e lenta, pelo meu rosto, pelo que resta dele. Corrói a minha cara, o meu pescoço, o meu corpo e alma. Dói tudo em mim. Só porque estou arrependido, só porque quero que tudo volte atrás um dia, vinte e quatro horas, não sei quantos minutos ou segundos. Quero correr para trás na vida, só isso. Mas não posso, sei isso. A dúvida agoniza-me. Penso em ti, sofro por ti e olho para o banco traseiro, com um sol amarelo, lindo, a bater-me nos olhos. Um sol que se esconde no horizonte de um dia triste demais.
Pego no livro e abro-o numa página qualquer. “Amo uma mulher má que és tu. Se calhar porque só assim poderia gostar de ti.” Meto-me no carro, faço-me à estrada e ao mundo. Volto para ti, para um erro se calhar, mas volto sem dúvidas, só com uma certeza e isso basta-me.
# respirado por Vitor, 21:31
inquietações:


3.7.03

[ao som de "Cold Cold Heart", House of Blues - Norah Jones]

# respirado por Vitor, 12:07
inquietações:


2.7.03

[ao som de "Give me your kisses (I'll give you my heart)", What a Wonderful World - Louis Armstrong]
Julgo agora que sorris para mim, enquanto bebes o teu leite matinal e eu te observo, porque mais nada tenho para fazer.
Tens um bigode de leite e sorris. Eu de roupão ainda, tal como tu, observo-te calado, ordenando ao meu respirar que também se acalme e aquiete. Tornas a sorrir e continuas a beber o teu leite matinal, com ar de menina envergonhada e embaraçada. O teu cabelo curto acentua este teu ar juvenil... a minha maria rapaz... que é só minha.
Pegas na chávena com as duas mãos, procuras aquecê-las, juntas os ombros às tuas orelhas e pões-te em bicos de pés, tremendo de frio, nervoso e medo. Mas sorris, com um bigode de leite que te dá um ar de menina traquina, o ar que me apaixona, tal como os teus grandes olhos negros, fundos e profundos, tal como tu.
Esta é uma cozinha pequena demais, uma casa pequena demais, um mundo idem, para ti, minha pequena, que mesmo o sendo realmente, nunca o serás demais ou de menos, porque isso não me interessa.
De mão a amparar o queixo e cotovelo na mesa, estou sentado numa cadeira habitual, à tua frente, ainda calado e quase poderia dizer sem respirar, porque não me ouço, porque não me sinto. Mas tenho um espelho à frente, que és tu, e vejo em ti a minha felicidade, que é viver este amor, desta maneira, desta forma estranha que é ver-te a beber leite sorrindo tímida e pequena.
Neste instante não imagino nada de especial, apenas penso em tudo isto, o que até nem é muito, e olho para ti. Parvo com uma felicidade enorme, apaixonado por ti, por viver assim.
Um chão frio nas tuas costas, na palma das minhas mãos, na tua nuca, nos meus joelhos e um sol amarelo, perfeito, lindo, que adoro que bata assim nos meus olhos e nos teus também, como testemunha silenciosa. A música foi de gritos, uma sinfonia que recordarei para sempre, mesmo sendo a tua voz rouca e a minha desafinada. Porque nem sempre é necessário poetas para fazer poemas, e muito menos palavras que rimem. Basta que tenham sentido para alguém, só isso.
E agora que vou à sala buscar-te mais uma prenda, que muito bem sabemos só poder ser mais um livro, dou-te um beijo longo, que nem sonho poder ser o último, porque a vida é, neste momento, tão cheia de ti, que nunca a imaginaria de ti também vazia. Adoras que te dê livros com rastos do meu amor por ti. Rastos que são os cantos da primeira página, da segunda, ou de outra qualquer, onde escrevo uma frase, um sopro meu no teu coração, só no teu. Adoras ler o que escrevo. Mais do que isso, adoras ser amada. Se calhar, e infelizmente, não só por mim. Mas isso desconheço agora, como amanhã também, pois estou certo que só descobrirei isso tarde demais, quando já nada restar, quando só o meu peito fôr pó e cinzas.
Um dia após outro, sol atrás de sol, sempre lindo, amarelo, a bater-nos nos olhos, não nos deixando abri-los, e como isso fez falta, olhar-te olhos nos olhos. Toco num vestido que julgo só poder ser teu, levanto os olhos e cruzo com os de uma mulher qualquer, que tem a tua voz, os teus lábios, o teu respirar, mas que me diz coisas que julguei nunca tu puderes dizer. Pedras que me magoam e afastam, que fazem chorar e me dizem que amor é coisa que está agora bem longe de ti e de nós.
E por isso bati a porta... e tu a fechaste à chave...
# respirado por Vitor, 00:38
inquietações:


1.7.03

[ao som de "Queremos Paz", La Revancha del Tango - Gotan Project]

# respirado por Vitor, 14:26
inquietações:


[O Navio de Espelhos]

O Navio de espelho
não navega, cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

E no mastro espelhado
uma espécie de porta

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrecto

(Como os olhos da mosca
reflectem os objecto)

E quando um deles ala
O corpo sobre os mastro
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os mastro)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Mário Cesariny
A Cidade Queimada,
o navio de espelhos XIII
This page is powered by Blogger. Isn't yours?