[noite escura]
[noite: s.f. espaco de tempo entre o crepusculo e o amanhecer; obscuridade reinante nesse tempo] [escura: adj. obscura; falta de luz]

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30.8.03

[ao som de "Don't Know Why", Come away with me - Norah Jones]
Hoje, quando passaste por mim na rua, nem sequer te esforçaste por me ver. Fizeste de mim homem invisível. Escondeste-te e aos teus belos olhos verdes côr de mar, côr de água, côr de vida e fogo, da côr do meu amor que eras tu, atrás de uns óculos escuros que afinal me deixaram ver quem tu eras e como sempre foste. Com os outros, com quase todos os outros, com aqueles que sempre gostaram de ti e mesmo os que te amaram como eu te amei.
# respirado por Vitor, 14:33
inquietações:


27.8.03

[ao som de "Last Stop", Live In Chicago - Dave Matthews Band]
Só quero ser feliz. E é este o problema se calhar, não tanto a felicidade em si, mas ideia que dela faço afinal.
# respirado por Vitor, 01:43
inquietações:

[ao som de "Walk On The Wild Side", NYC Man - Lou Reed]
Hoje sei que há muitas coisas ignoro neste mundo gigante. Tenho um medo enorme disto: do descobrir que muito não sei, deste constatar de enormidade. Sendo assim, a minha esperança é porém humilde: sabendo que jamais serei do tamanho do mundo, ao menos ele me dê algumas repostas.
# respirado por Vitor, 01:41
inquietações:


16.8.03

[ao som de "Packt Like Sardines In A Crushd Tin Box", Amnesiac - Radiohead]
«Os tibetanos fixam-se num ponto para atravessar
Ritualmente um tapete em brasas vivas. (...)
O que fazer quando o ponto não mais existe?»

Atena, no seu Templo de Atena
# respirado por Vitor, 14:50
inquietações:

[ao som de "Hello Brother", What a Wonderful World- Louis Armstrong]
Hoje poderia muito bem ser o dia de aniversário do meu melhor amigo. Mas não é. Porque o meu melhor amigo desapareceu, deixou de existir, num dia destes que passou. Afogado por lágrimas minhas, nossas, por palavras ainda não arrependidas, não é meu amor?
# respirado por Vitor, 14:41
inquietações:


15.8.03

[ao som de "Bom Sinal", Natural - Celso Fonseca]
«Maria é lutadora, amante, amiga para todas as horas. Enfrenta diariamente a dor de oferecer amor e receber de volta traição e dor. Chora, mas transforma suas lágrimas em força para recomeçar. É, acima de tudo, mulher.»
Sue Medeiros, no seu Asa de Borboleta
# respirado por Vitor, 14:25
inquietações:


12.8.03

[ao som de "Vuelvo al Sur", Afinidades - Clã e Sérgio Godinho]
«A decisão de te amar
nada tem a ver contigo.»

um_Sol no seu tempo dual
# respirado por Vitor, 16:35
inquietações:


6.8.03

[ao som de "Warning Sign", A Rush Of Blood TO The Head - Coldplay]
«Quase tenho uma casa. Quantas mais vejo, mais indecisa fico. Há casas engraçadas. Há a minha casa. Quando?»
Lenia, no seu Outro Lado da Lua
# respirado por Vitor, 11:48
inquietações:


3.8.03

[ao som de "O Amor é Feio", Tribalistas - Tribalistas]

# respirado por Vitor, 21:59
inquietações:

[ao som de "Gabriel", What Sound - Lamb]
Nunca compreendi porque choras, porque nunca te dei essa esperança, nem sequer esse amor. Mas tu nunca com isso te importaste, pelo menos até hoje, dia mais um que ontem, em que te encostas às cordas da vida, derrubada por mim, pela minha ausência... e choras um choro partido, afogado por palavras amargas e tardiamente arrependidas, que ouço em silêncio. Choras um choro salgado, que o sei assim porque muitas lágrimas tuas já saboreei... isto se as tuas lágrimas forem todas iguais, sejam elas de amor ou triste fado.
Tudo foi rápido demais. A forma como nos conhecemos e amamos, num segundo igual, num segundo diferente de todos os outros, num segundo irreal. E o resto... um buraco enorme no peito, feito de bala de canhão, já uma vez o disse e mais uma o sinto, sem saber o que fazer ou dizer, nem o que pensar ou sentir. Só porque te vejo sofrer.
Desejo-me igual a ti neste momento, como se um pedra pudesse ser igual a uma flor. Mas jamais esse reflexo será real, porque afinal nem sei se é salgada esse tipo de dor.
# respirado por Vitor, 21:20
inquietações:


[O Navio de Espelhos]

O Navio de espelho
não navega, cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

E no mastro espelhado
uma espécie de porta

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrecto

(Como os olhos da mosca
reflectem os objecto)

E quando um deles ala
O corpo sobre os mastro
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os mastro)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Mário Cesariny
A Cidade Queimada,
o navio de espelhos XIII
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