[noite escura]
[noite: s.f. espaco de tempo entre o crepusculo e o amanhecer; obscuridade reinante nesse tempo] [escura: adj. obscura; falta de luz]

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31.10.03

[ao som de "Distance Equals Rates Times Time", Trompe Le Monde - Pixies]
«{carta a uma desconhecida com um nome breve}
aqui tens uma roda, um círculo com planetas, só uma imagem linda, disseste em silêncio. não aceitei a roda, não aceitei a beleza e entrei pela imagem dentro. meio pandora, meio ícaro, voei mais alto que a caixa, queimei-me e fiquei oferecendo pragas aos meus solitários olhos cansados. deslumbra-te com o nada, voltei a lembrar no final.»

Homem, no seu Homem Fumando
# respirado por Vitor, 00:58
inquietações:


30.10.03

[ao som de "Naquela Estacao", Perfil - Adriana Calcanhotto]
O nosso fim foi contado pelo tempo que fumaste, impaciente, o teu último cigarro.
# respirado por Vitor, 13:32
inquietações:

[ao som de "Bem versus Mal", Lustro - Clã]
«{A fada Oriana}
Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más. As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos e, à noite põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres. As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam que roupa que esta ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam o dinheiro dos pobres. Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas, toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar. Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado, e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.»

Sophia de Mello Breyner Andresen
# respirado por Vitor, 13:29
inquietações:

[ao som de "Nuvem", O Monstro Precisa de Amigos - Ornatos Violeta]
É nesta praia deserta de ti, ao tempo que procuro vislumbrar o nascer do sol, numa linha que sei a meio caminho entre o céu e o mar, que percebo a impossibilidade do nosso amor.
# respirado por Vitor, 01:13
inquietações:

[ao som de "Big Eyed Fish", Unnofficial Lillywhite Sessions - Dave Mathews Band]
Chegas para almoçar, atrasada, tão atrasada como é habitual. Sentas-te ao meu lado direito, mas nunca o teu joelho, nem mesmo ao de leve, esbarrou o meu. Comeste em silêncio e eu, a teu lado, fiz igual. Foi quando te levantaste, que disseste as tuas duas únicas palavras desse dia: “Nunca mais”.
Nunca a vida me tinha sido apresentada de uma forma tão definitiva. Por culpa minha, muito provavelmente… ou, se calhar, porque desde o início, mais do que te amar, sempre angustiei mais com a ideia de te perder.
# respirado por Vitor, 01:11
inquietações:


29.10.03

[ao som de "Heart With No Companion", Leonard Cohen Live - Leonard Cohen]
«{Coração na Boca}
(...) Laura dos olhos castanhos muito escuros. Laura das fúrias repentinas. Menina do meu coração. Onde estás para que me ouças? Onde te escondes, para onde fugiste para que te procure e te veja? (...)»

Pedro Paixão, in "Amor Portátil"
# respirado por Vitor, 01:21
inquietações:


28.10.03

[ao som de "Ghost Song", The Virgin Suicides - Air]

# respirado por Vitor, 12:28
inquietações:

[ao som de "Three Orange Whips", Acoustic - Morcheeba]
Ainda agora não entendo o que podemos ter em comum, tão diferentes que somos, tão distantes que estamos por vezes. Que é feito da cumplicidade?
# respirado por Vitor, 12:20
inquietações:


27.10.03

[ao som de "O Meu Amor Existe", Dá-me Lume - Jorge Palma]
Muitos são dos dias que passo sem te ver ou sentir, mas ainda assim amo-te como se não fizesse nada tão bem. O meu amor por ti é, por isso mesmo e acima de tudo, uma questão de fé.
(fé: s.f. crença fervorosa, firme e cega; confiança em alguém ou alguma coisa)
# respirado por Vitor, 12:40
inquietações:

[ao som de "O Meu Abrigo", Na Alma e Na Pele - Mafalda Veiga]
Mulher grande, mesmo sendo do tamanho de todas as outras, julgo eu.
# respirado por Vitor, 12:33
inquietações:


26.10.03

[ao som de "Una Musica Brutal", La Revancha Del Tango - Gotan Project]
You complete me.
# respirado por Vitor, 23:08
inquietações:


25.10.03

[ao som de "Saludo a Chango", Duets - Compay Segundo e Khaled]

# respirado por Vitor, 13:05
inquietações:


24.10.03

[ao som de "It's Oh So Quiet", When Did You Leave Heaven - Lisa Ekdahl]
Podendo dizer-te dos espinhos que me vão na alma, ou revelar-te as mais doces ternuras do meu coração, não faço nada disso afinal, abdico de mim, fechando os olhos e dando-te um beijo longo e quente, quase perfeito.
- Escolho estar contigo em vez de te amar. Escondo-me de ti ao tempo que fujo de mim.
# respirado por Vitor, 22:26
inquietações:

[ao som de "Cantalop", Hands On The Torch - Us3]
«At first, the money had seemed inexhaustible to him, but after he had been traveling for five or six months, more than half of it had been spent. Slowly but surely, the adventure was turning into a paradox. The money was responsible for his freedom, but each time he used it to buy another portion of that freedom, he was denying himself an equal portion of it as well. The money kept him going, but it was also an engine of loss, inexorably leading him back to the place where he had begun.»
Paul Auster, in "The Music Of Chance"
# respirado por Vitor, 22:09
inquietações:


22.10.03

[para ouvir em silêncio]
«As certezas de 6 anos de menino dizem: "tudo é feito de moléculas... tudo menos os beijos"
e os abraços, que são feitos de ar
quanto menos ar contêm, entre os braços
quanto menos ar deixam, nos pulmões
quanto mais tempo duram, no calor
um só braço
um só corpo,
um só laço,
melhor é o abraço.»

PC, na seu A aba de Heisenberg
# respirado por Vitor, 13:48
inquietações:

[ao som de "One Of Us Cannot Be Wrong", Leonard Cohen Live - Leonard Cohen]
A meio caminho de casa, encostei o carro à berma e bati a porta violentamente. Não cheguei sequer a olhar para trás.
Ainda hoje não encontro motivos para isso. Nem no fundo da minha alma, nem à superficie do meu corpo.
# respirado por Vitor, 00:44
inquietações:


20.10.03

[ao som de "Fim do Dia", Na Alma e na Pele - Mafalda Veiga]
que nunca seja tarde demais para nós... porque será isto para mim mais importante do que amar-te?!
# respirado por Vitor, 02:00
inquietações:


19.10.03

[ao som de "Memory of a Festival", In A Bar Under The Sea - dEUS]
No delírio dos meus sonhos, julguei por excesso o meu amor por ti, como se o amor fosse coisa comensurável. Como dói ver isso na água dos teus olhos verdes, lindos...
# respirado por Vitor, 22:31
inquietações:


18.10.03

[ao som de "Bolero Sonámbulo", Mambo Sinuendo - Ry Cooder e Manuel Gálban]

# respirado por Vitor, 23:45
inquietações:


17.10.03

[ao som de "Coney Island Baby", NYC Man- Lou Reed]
"Hei-de perder-te um dia", penso nisso.
Mas é com uma estúpida tranquilidade - se calhar, mais indiferença, desculpa - que aguardo a inevitabilidade do fim, do nosso fim.
Por isso, já está tudo dito.
# respirado por Vitor, 13:46
inquietações:

[ao som de "A Whisper", A Rush Of Blood To The Head - Coldplay]
Olho-me ao espelho, procurando esconder e entender detalhes do meu corpo. Recordo a manhã de hoje - como é amarga essa imagem!... Agora, mais do que nunca, preciso da certeza do teu amor, para que tudo isto, afinal, faça algum sentido.
# respirado por Vitor, 13:44
inquietações:

[ao som de "Myxomatosis", Hail To The Thief - Radiohead]
A minha Ana qualquer mora no quarto andar deste prédio sem elevador. Dia sim dia sim, nestes dias da minha vida, subo estas escadas escuras e imundas, a horas certas e rotineiras. Hoje, porém, é a meio destas mesmas escadas, que percebo que nunca tu sentiste a falta desse elevador por um momento que fosse.
# respirado por Vitor, 13:39
inquietações:

[ao som de "Cariocas", Perfil - Adriana Calcanhotto]
Após ter corrido mundo e meio e ter vivido horas a mais, voltei para ti.
No fim, neste fim, voltei para ti.
Ainda agora,
a certeza deste teu amor atemoriza-me.
# respirado por Vitor, 01:09
inquietações:

[ao som de "Espalhem A Notícia", Afinidades - Clã e Sérgio Godinho]
«Ambos vivemos pela negativa. Somos o que resta do que dizemos não ser. Gostamos do que fica depois de não fazermos todas as coisas de que não gostamos. Pode haver outras maneiras de viver. Mas nenhuma delas é a nossa e não estamos interessados em saber quais são.»
Miguel Esteves Cardoso, in "O Cemitério de Raparigas"
# respirado por Vitor, 01:03
inquietações:


16.10.03

[ao som de "Em tão pouco tempo escureceu tanto", Chorinho Feliz- Maria João e Mário Laginha]

# respirado por Vitor, 01:44
inquietações:

[a ver de soslaio "Intimidade" de Patrice Chéreau]
Quis viver contigo longe de ti,
quis estar contigo não saindo de dentro de mim.
Quis o impossível, que nunca poderias dar.
O meu problema foi esse: querer…
O teu foi acreditar que me poderias mudar.
# respirado por Vitor, 01:36
inquietações:

[ao som de "Um a um", Tribalistas - Tribalistas]
Um dia destes sussurraste-me ao ouvido que tinhas todas as respostas. Eu, de cabeça pousada sobre as tuas pernas, na doce sombra do teu peito, sosseguei numa terna tranquilidade, seguro… mais que tudo, acima de tudo, seguro.
Hoje de manhã, muito de manhãzinha, ao tempo que estiquei o meu corpo para o lado frio da cama, aprendi que não serão nunca as tuas respostas, mesmo todas as que tenhas para me dar, que me farão aquecer o corpo, o peito e a alma.
# respirado por Vitor, 01:29
inquietações:


13.10.03

[ao som de "Parallel Universe", Californication - Red Hot Cili Peppers]
O nosso amor transpirado acabou, tranquilo e sem dor. Contigo de olhos no chão, com os meus lábios encostados na tua testa e mãos a acompanhar-te as maçãs do rosto.
Que o futuro te reserve o amor que mereces, que te mantenha longe de mim.
# respirado por Vitor, 13:56
inquietações:


12.10.03

[ao som de "High Speed", Parachutes - Coldplay]
A televisão está desligada. A luz apagada. Não se ouve um único som ou ruído, só o teu respirar e o meu, sôfregos e eternos, como se nada mais soubéssemos fazer.
# respirado por Vitor, 22:13
inquietações:

[ao som de "Africa Bamba", Supernatural - Carlos Santana]
«{Às portas de um sonho} Gostaria de saber se é aqui que se entra nos sonhos das pessoas?»
Molin, no seu Associação Cultural e Recreativa de Ideias
# respirado por Vitor, 21:56
inquietações:

[ao som de "Me Quedare Solo", La Profecia - Amistades Peligrosas]
«esta cidade só tem três ruas: a da tua casa, a da minha casa e aquela que percorremos para ir ter com outras pessoas.»
MR, no Desejo Casar
# respirado por Vitor, 19:18
inquietações:

[a ver de soslaio "O Clube dos Poetas Mortos" de Peter Weir]
«I went into the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life ... to put to rout all that was not life; and not, when I came to die, discover that I had not lived»
Henry David Thoreau
# respirado por Vitor, 19:11
inquietações:

[ao som de "The Electric Co", Under A Blood Red Sky - U2]
«{No meio dos destroços,} Há-de passar a luz por onde ontem era uma parede. Erguem-se deles novas formas de vida, quando os escombros são das obras em casa.»
Vírgula, no seu Ponto e Vírgula
# respirado por Vitor, 18:29
inquietações:

[ao som de " Cualquer Coisa", Cualquer Coisa - Caetano Veloso]
«{Finis} Há sempre duas possibilidades de quem se ama se separar: a primeira é a cruel inevitabilidade da separação definitiva, trazida pela morte (certus an, incertus quando); a segunda, incerta no tempo e em si mesma, só sucede quando um dos amantes (ou ambos) desiste do outro, glorificando o que os separa e esquecendo o que os une (incertus an, incertus quando). Matar esta potencial ruptura é saber consolidar o edifício do amor.»
Ana, no seu Modus Vivendi
# respirado por Vitor, 18:25
inquietações:

[ao som de " Just For You", Fresco - M People]
«{infernos almofadados} não tenho existência suficiente para ocupar este espaço todo onde tu faltas.»
claire lunar, no seu little black spot
# respirado por Vitor, 18:20
inquietações:


8.10.03

[ao som de " Viagens", Viagens - Pedro Abrunhosa]
«{Viagens}
Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim,
beijos entregues ao vento,
e amor em mares de cetim.
Gestos que riscam o ar,
e olhares que trazem solidão,
pedras e praias e o céu a bailar,
e os corpos que fogem do chão.»

Pedro Abrunhosa
# respirado por Vitor, 13:53
inquietações:

[ao som de " Romeo and Juliet", Sultans of Swing, Best OF - Dire Straits]
Dentro de sete segundos vou-te ligar.
Porque estou sempre a adiar estas coisas?
# respirado por Vitor, 12:30
inquietações:


6.10.03

[ao som de " Typical Situation", Live at Red Rocks - Dave Mathews Band]
É quando estou sozinho que mais penso em ti. Será isto amor ou solidão?
# respirado por Vitor, 13:00
inquietações:


4.10.03

[ao som de " Prenda minha", Prenda minha - Caetano Veloso]
«{Primeiras Palavras}
Se eu te pedisse um verso apenas
que palavras dirias para fixar a sombra
dos meus olhos? Essa árvore de onde
nascem os pássaros quase azuis, quase verdes,
de tanto poisarem no teu ombro.»

Francisco José Viegas, in "Metade da Vida"
# respirado por Vitor, 14:56
inquietações:


3.10.03

[ao som de "Do You Love Me", The Best of Nick Cave & the Bad Seeds - Nick Cave & the Bad Seeds]
Será que fui longe demais?
# respirado por Vitor, 15:41
inquietações:

[ao som de "Young And Foolish", Swing It Back - Tony Bennett]
«Viver sozinha de alma, cansa.»
sofia, no seu uns e outros
# respirado por Vitor, 00:49
inquietações:


2.10.03

[ao som de "Bessie Smith", House of Blues - Norah Jones]
Quero falar contigo, dizer-te que assim não podemos continuar, porque somos hoje o que nunca desejamos ser.
# respirado por Vitor, 00:51
inquietações:

[ao som de "Hanazono", In Between - Jazzanova]
«Vontade : Apetecia-me passear de mãos dadas e mostrar a minha cara de menina.»
Louise, no seu Thelma & Louise
# respirado por Vitor, 00:45
inquietações:


[O Navio de Espelhos]

O Navio de espelho
não navega, cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

E no mastro espelhado
uma espécie de porta

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrecto

(Como os olhos da mosca
reflectem os objecto)

E quando um deles ala
O corpo sobre os mastro
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os mastro)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Mário Cesariny
A Cidade Queimada,
o navio de espelhos XIII
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