[noite escura]
[noite: s.f. espaco de tempo entre o crepusculo e o amanhecer; obscuridade reinante nesse tempo] [escura: adj. obscura; falta de luz]

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25.4.04




# respirado por Vitor, 22:23
inquietações:


23.4.04

[a ouvir o escuro]

«Vejo ver-me a ver-te... uma noite»

D, no seu Leite de Creme
# respirado por Vitor, 01:01
inquietações:

[ao som de "Typical Situation", Dave Mathews Band – Under The Table And Dreaming]

No segundo em que o silêncio não nos for incómodo
e em que os meus olhos se afoguem tranquilos nos teus,
mais do que amantes, seremos íntimos,
não é, meu amor?

# respirado por Vitor, 00:51
inquietações:

[ao som de "Sing That Song", Guano Apes – Walking On A Thin Line]
Dois dedos atravessados é toda a distância que nos separa, o que é quase toda a distância no mundo. Pelo menos, neste momento em que tu choras e eu sofro.
# respirado por Vitor, 00:47
inquietações:


18.4.04

[ao som de "Olsen Olsen", Sigur Rós – Ágaelis Byrjun]
«quantas vezes te inventei
ao pé das águas do lago e
imaginei que me empurravas
ladeira abaixo para
enfim
morrer de amor»

Valter Hugo Mãe, in "O resto da minha alegria", relembrado por Tania no seu sem querer penso
# respirado por Vitor, 23:25
inquietações:

[ao som de "Santa Maria (del buen ayre)", Gotan Project – La revancha del tango]
Estou perdido por ti.
E é nestas alturas que me encontro, em ti.
# respirado por Vitor, 22:47
inquietações:




# respirado por Vitor, 22:47
inquietações:

[ao som de "Tenderly", Louis Armstrong – Let’s do it]
Início que não o foi, nem nunca chegou a sê-lo. O fim esteve sempre lá, connosco, nunca nos abandonando. Tudo acabou quando começou. Aliás, desde o primeiro instante foi sempre acabando.
Agora acabou mesmo. Ponto final.
Não tenho dúvidas. Não posso tê-las.
# respirado por Vitor, 22:45
inquietações:


17.4.04

[ao som de "Lobo Malvado", Palma's Gang - ao vivo no Johnny Guitar]

[In a secluded table in this dark steak place. Jim Kurring and Claudia.]

CLAUDIA: Did you ever go out with someone and just....lie....question after question, maybe you're trying to make yourself look cool or better than you are or whatever, or smarter or cooler and you just not really lie, but maybe you just don't say everything.
JIM KURRING: Well, that's a natural thing, two people go out on a date, something. They want to impress people, the other person...or they're scared maybe what they say will make the other person not like them.
CLAUDIA: So you've done it.
JIM KURRING: Well I don't go out very much.
CLAUDIA: Why not?
JIM KURRING: I've never found someone really that. I think I would like to go out with.
CLAUDIA: And I bet you say that to all the girls
JIM KURRING: No, no.
CLAUDIA: You wanna make a deal with me?
JIM KURRING: ok.
CLAUDIA: What I just said...y'know, people afraid to say things....no guts to say the things that they...that are real or something...
JIM KURRING: ...yeah...
CLAUDIA: To not do that. To not do that that we've maybe done before
JIM KURRING: Let's make a deal.
CLAUDIA: Ok. I'll tell you everything and you tell me everything and maybe we can get through all the piss and shit and lies that kill other people....

[He laughs a bit uncomfortable... repeats her line;]

JIM KURRING: Wow....huh..."...piss and shit..."
CLAUDIA: What?
JIM KURRING: You really use strong language.
CLAUDIA: I'm sorry
JIM KURRING: no, no, it's fine. Fine.
CLAUDIA: I didn't mean...it's seems vulgar or something, I know
JIM KURRING: It's fine.
CLAUDIA: I'm sorry.
JIM KURRING: ...nothing. I'm sorry...
CLAUDIA: No, I'm sorry. I'm saying I'm sorry. I talk like a jerk sometimes
JIM KURRING: well I'm a real...y'know, straight when it comes to that...curse words I just don't use much
CLAUDIA: I'm sorry.
CLAUDIA: I'm gonna run to the bathroom for a minute...maybe just
JIM KURRING: ok.
CLAUDIA: ok.

[She goes. HOLD with him for a moment. CAMERA tracks with Claudia as she walks back to the table...she comes up from behind Jim Kurring and leans in quick...KISSES HIM ON THE CHEEK and then quickly sits down across from him;]

CLAUDIA: I wanted to do that.

[Jim Kurring smiles, shaken a bit.]

JIM KURRING: Well.
CLAUDIA: That felt good to do...to do what. I wanted to do.
JIM KURRING: Yeah.
CLAUDIA: Can I tell you something?
JIM KURRING: Yeah, of course.
CLAUDIA: I'm really nervous that you're gonna hate me soon. That you're gonna find stuff out about me and you're gonna hate me
JIM KURRING: no, like what, what do you mean?
CLAUDIA: You're a police officer. You have so much, so many good things and you seem so together...so all straight and put together without problems.
JIM KURRING: I lost my gun.
CLAUDIA: What?
JIM KURRING: I lost my gun after I left you today and I'm the laughing stock of a lot of people. I wanted to tell you that. I wanted you to know...and it's on my mind and it makes me look like a fool and I feel like a fool and you asked that we should say things, that we should say what we're thinking and not lie about things and I'll tell you that, this: that I lost my gun and I'm not a good cop...and I'm looked down at...and I know that....and I'm scared that once you find that out you might not like me.
CLAUDIA: Oh my god, Jim. Jim, that was so
JIM KURRING: I'm sorry
CLAUDIA: That was so great what you just said.
JIM KURRING: I haven't been on a date since I was married and that was three years ago....and Claudia...whatever you wanna tell me, whatever you think might scare me, won't...and I will listen...I will be a good listener to you if that's what you want...and you know, you know...I won't judge you... I can do that sometimes, I know, but I won't...I can...listen to you and you shouldn't be scared of scaring me off or anything that you might think I'll think or on and on and just say it and I'll listen to you....
CLAUDIA: You don't how fuckin' stupid I am.
JIM KURRING: It's ok.
CLAUDIA: You don't know how crazy I am.
JIM KURRING: It's ok.
CLAUDIA: I've got troubles.
JIM KURRING: I'll take everything at face value. I'll be a good listener to you.
CLAUDIA: Ohhhh I started this, didn't I, didn't I, didn't I, fuck.
JIM KURRING: Say what you want and you'll see
CLAUDIA: Wanna kiss me, Jim?
JIM KURRING: Yes I do.

[They lean across the table and kiss each other. CAMERA DOLLIES IN SUPER QUICK as their lips touch. CAMERA CU on Claudia as she pulls back from the kiss. HOLD. She starts to cry....through her tears, then:]

CLAUDIA:...now that I've met you... Would you object to never seeing me again?
JIM KURRING: What?
CLAUDIA: Just say no.
JIM KURRING: I won't say, no, wait, Claudia

[She gets up and walks out]

# respirado por Vitor, 23:57
inquietações:

# respirado por Vitor, 15:25
inquietações:


16.4.04

[ao som de "Space Oddity", David Bowie - Best of Bowie]

Do outro lado da cama, ao fundo do quarto,
no lado errado do mundo e fora da minha alma,
aí estás tu feita mulher gigante
transformada em monstro falante.

Eu,
imóvel,
nem respiro, nem choro,
não digo que sim, nem não.
Olho para ti, sem te ver,
não percebendo uma palavra que seja..

Limito-me a morrer.

Triste papel este,
de morto por este silêncio de palavras
tuas, somente tuas
Ao tempo que as outras, as minhas,
morrem,
sufocadas,
dentro de mim

# respirado por Vitor, 22:41
inquietações:


15.4.04

[ao som de "Open up", Lamb - Between darkness and wonder]


Ainda que mal pergunte
Ainda que mal respondas
Ainda que mal te entenda
Ainda que mal repitas
Ainda que mal insista
Ainda que mal desculpes
Ainda que mal me exprima
Ainda que mal me julgues
Ainda que mal me mostre
Ainda que mal me vejas
Ainda que mal te encare
Ainda que mal te furtes
Ainda que mal te siga
Ainda que mal te voltes
Ainda que mal te ame
Ainda que mal o saibas
Ainda que mal te agarre
Ainda que mal te mates
Ainda assim te pergunto
E me queimando em teu seio
me salvo e me dano: amor.


Carlos Drummond de Andrade, cruzado por Leleca no seu Causos meus e da minha família...
# respirado por Vitor, 23:26
inquietações:

[ao som de "Santa Barbara", Celina Gonzalez - Chan Chan]
Hoje encontrei um homem contente com o seu invento.
“Uma máquina de contar”, dizia ele. Contava tudo. A idade, os dias, o dinheiro, os filhos, as horas, as pessoas, os carros, a fruta, os metros e quilómetros que andava, as palavras, os sons, as estrelas…
Não hesitei e comprei-lhe logo tamanha preciosidade.
“Uma pechincha”, pensei para mim.
Cheguei a casa e mostrei-o à minha mulher.
"Agora posso contar tudo o que quiser", disse.
Ela fitou-me e sem dizer uma palavra que fosse, baixou os olhos e chorou.
# respirado por Vitor, 16:21
inquietações:

[ao som de "Vertigem", Mafalda Veiga - Nada se Repete]
«Homem: Queres continuar a falar sobre isto?
Mulher: Não sei.
Homem: E falar doutra coisa?
Mulher: Não sei.
Homem: De que queres falar então?
Mulher: Quero ouvir-te.»

Shinho, no seu A Espada Relativa
# respirado por Vitor, 16:04
inquietações:


14.4.04

[em silêncio]


O que é um beijo guardado?



# respirado por Vitor, 20:29
inquietações:

[ao som de "Tennessee Waltz", Norah Jones - House Of Blues]



# respirado por Vitor, 19:23
inquietações:

[ao som de "Cantiga (Caico)", Maria João e Mário Laginha - Undercovers]


o meu amor é só meu - e teu quando o quiseres descobrir.

é um fogo quente que consome
e a brisa que o alimenta,
é um amor que foge depressa
e se ri do seu vagar

o dia em que perguntarem quem tu és meu amor
vou sorrir e dizer tranquilo: "não sei"
porque isso nem importante foi
porque só quis amar - só isso, amar.

# respirado por Vitor, 19:07
inquietações:

[ao som de "Rapunzel", Dave Mathews Band - Listener Supported]
{volta fugaz}
o corpo esqueceu-se de parar. percorreu gente, misturou calçadas com delírios. Escutou e cozinhou sentires. num tempo explodiu. espirrou aromas, desorientado
trocou nomes. O corpo esqueceu-se de parar. O corpo esqueceu-se de si. repete palavras soltas. os olhos recomeçaram a escrever para te dar um abraço. para beijar a memória.

Louise no seu Thelma & Louise
# respirado por Vitor, 18:54
inquietações:

[ao som de "Bachelorette", Bjork - Homogenic]
«{Lânguido Retorno [efabulação]}
O olhar em frente cruza-se com o voo suspenso de uma águia. O vento ruge na minha cara, vindo do fundo do desfiladeiro até à beira da escarpa. No ar gélido é possível sentir levemente o aroma do bosque e da terra. A pele arrepia-se uma e outra vez. Entreabro a boca para engolir uma golfada de ar. Aliso as penas com as mãos. Abro e sacudo as asas para desentorpecer os músculos e fazer fluir o sangue. Fecho os olhos um instante.
Mergulho agora numa queda serena e mineral. Por momentos sou rocha. Magnetizado. Grave. Abro os olhos e sou músculo e pluma. Amplo, acolho o ar quente ascendente. Sou impelido para cima no voo que me sustentará. Sou. »

v-e-l-ü-t-h-a, no seu tro.blog.dita
# respirado por Vitor, 18:51
inquietações:

[ao som de "What's Wrong With This Picture", Van Morrison - What's Wrong With This Picture]
«[Charles comes running after Carrie]
Charles: Ehm, look. Sorry, sorry. I just, ehm, well, this is a very stupid question and..., particularly in view of our recent shopping excursion, but I just wondered, by any chance, ehm, eh, I mean obviously not because I guess I've only slept with 9 people, but-but I-I just wondered... ehh. I really feel, ehh, in short, to recap it slightly in a clearer version, eh, the words of David Cassidy in fact, eh, while he was still with the Partridge family, eh, "I think I love you," and eh, I-I just wondered by any chance you wouldn't like to... Eh... Eh... No, no, no of course not... I'm an idiot, he's not... Excellent, excellent, fantastic, eh, I was gonna say lovely to see you, sorry to disturb... Better get on...
Carrie: That was very romantic.
Charles: Well, I thought it over a lot, you know, I wanted to get it just right.
(...)
Charles:Do you think that you might agree not to marry me? And do you think that not being married to me might be something you'd consider doing for the rest of your life?
Charles: ... do you?
Carrie: I do!»

anotado por Frederico no seu O Céu Sobre Berlim
# respirado por Vitor, 18:10
inquietações:


13.4.04

[ao som de "O cais", Rodrigo Leão, Gabriel Gomes - Os poetas: entre nós e as palavras]
«{146.}
Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse sonho também»

Bernardo Soares, in "Livro do desassossego"
# respirado por Vitor, 21:09
inquietações:

[ao som de "Fina Estampa", Caetano Veloso - Fina Estampa]
«Magia é o primeiro gosto
das framboesas maduras, e
magia é uma criança dançando
sob a chuva de verão.»

Peter Blue Cloud, in "Elderberry Flute Song", arte da Ana Lúcia Merege no seu A Estante Mágica
# respirado por Vitor, 20:22
inquietações:


[O Navio de Espelhos]

O Navio de espelho
não navega, cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

E no mastro espelhado
uma espécie de porta

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrecto

(Como os olhos da mosca
reflectem os objecto)

E quando um deles ala
O corpo sobre os mastro
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os mastro)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Mário Cesariny
A Cidade Queimada,
o navio de espelhos XIII
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